Indicador

Eu sou aquele que aponta

Ao mesmo tempo, eu sou o que chama

Eu também sirvo a fazer conta,

e para furar o bolo da fama

 

Eu sou aquele a ser lambido,

o que é cheirado e o que te coças

Eu tiro a cera do teu ouvido

e ainda limpo as tuas fossas

 

Entre os Romanos, eu sou o primeiro

Do contrário, meu gemelar

Da tua boca, eu sou o banheiro…,

e se for o teu rosto, eu sei selar

 

Se roço tua mão, sou pornográfico…,

e para uma ordem, eu dou um giro

Estou na trapaça de um belo mágico

Se estás ansioso, eu logo te firo

 

Em “A Criação de Adão”, eu sou o elo Homem/Divino

Estou entre os da palmada que tenta corrigir o filho,

também estou onde entrelaça a ciranda do menino

Eu sou, enfim, aquele que aperta o gatilho

 

 

Euterpe

Há certas canções que,

quando você as ouve, fazem com que a sua epiderme

funcione como uma espécie timpânica

 

Elas parecem chegar à sua percepção auditiva

não pelo órgão a que lhe compete,

mas antes através do tegumento

que reveste todo o corpo

 

É como se você estivesse submerso

e completamente envolvido por algo que,

literalmente, não é água;

apesar das ondas

 

Um fluido sonoro – digamos assim -,

com característica demasiado voluptuosa

e em eterno flerte com o divino

 

Arrebatado,

você simplesmente é conduzido

por este invólucro melodioso,

imperscrutável à mera capacidade de definição humana